domingo, 30 de maio de 2010

[NOTÍCIA] Vulcão da Islândia afecta saúde pública, traz perigos geológicos e confunde reactores de aviões

Investigadora do Centro de Vulcanologia explicou ao «Ciência Hoje» consequências globais e locais
 
  Horas de espera nos aeroportos. O caos está instalado no Norte da Europa e já começa a afectar o resto do continente. Este é o cenário mais visível como consequência da erupção do vulcão do glaciar Eyjafjllajokull, no Sul da Islândia, ocorrida há dois dias. No entanto, a actividade afecta especialmente a saúde pública e traz perigos geológicos.
  A cinza criada pela erupção do vulcão islandês é muito densa. Segundo Teresa Ferreira, investigadora do Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos (CVARG) da Universidade dos Açores, ainda é muito cedo para saber as reais consequências. “Tudo aquilo que se possa dizer é muito especulativo, porque ainda pode mudar de características – depende da duração da erupção e da sua intensidade”.
  Em termos globais, o impacto já ultrapassou os domínios da Islândia, visível na questão do tráfego aéreo. Hoje, já se contabilizam mais de 17 mil voos cancelados. Teresa Ferreira explicou ao «Ciência Hoje» que “os aviões a jacto mantêm-se através da aspiração do ar que entra nas câmaras de combustão e como as cinzas são microscópicas e de composição silicatada – material cuja temperatura é da ordem dos mil graus ou superior e se vão fundir – os espaços que mantêm os motores ficam entupidos e fazem com que estes se apaguem”.
  Ao contrário daquilo que acontece com outros fenómenos meteorológicos, os radares dos aviões não detectam a cinza e as partículas penetram a grande velocidade nos reactores. Os aeroportos Charles de Gaulle e Orly, em Paris, são os mais afectados pelo caos, devido aos cancelamentos. Entretanto, a nuvem também começou também a atingir os países Bálticos. Os céus da Europa podem ficar intransitáveis durante ainda vários dias.

Queda de cinza no resto da Europa
  Embora a actividade seja num local pouco povoado, as cinzas depositam-se em áreas de cultivo e levou à evacuação local. “A inalação de enxofre é muito prejudicial para a saúde pública”, aferiu ainda a investigadora. E acrescenta: “Poderá vir a ocorrer queda de cinza no resto da Europa e provocar perturbações climáticas, mas ainda é prematuro para saber”.
  Ainda em termos locais, "o degelo do glaciar leva ao aumento dos caudais nos rios" e, consequentemente, a "danos nas pontes". Esta é “uma erupção subglaciar com características hidrovulcânicas e a maior explosividade resulta da erupção do magma com a água – o que leva à fusão do gelo do glaciar”, sublinhou igualmente a especialista da unidade científica.
  A página do CVARG sublinha que nas regiões vulcânicas activas, os gases dissolvidos no magma libertam-se para a atmosfera quer durante as erupções, quer em períodos de repouso como aqueles que se vivem actualmente nos Açores. Os gases libertam-se à superfície em locais bem definidos como, por exemplo, ao nível das plumas eruptivas, lagos ácidos, lagos de lava, fumarolas e nascentes, ou de um modo difuso, imperceptível e contínuo, através dos solos e de nascentes de água termal ou fria gaseificada.”

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=41744&op=all#cont

  Reflexão:
  Será que o Homem está preparado para uma catástrofe? Esta resposta é não, nunca está! Pode até ter maneiras, formas para tentar que as consequências sejam menores, mas as consequências são sempre inevitáveis e por vezes fatais.
  Por exemplo o vulcanismo não pode ser controlado para que a informação obtida seja totalmente segura, mas podemos saber se há ou não actividade vulcânica, chama-se a isto previsão (claro que engloba outros processos). Todavia o melhor é prevenir, por isso existe um conjunto de medidas que devem ser tomadas antes e depois da catástrofe. Neste caso, a população foi evacuada - uma medida de prevenção. Desta forma, evitam-se mortes e prejuízos materiais.
  As consequências da actividade vulcânica são bastantes e ate significantes para o ambiente/economia do país e/ou mundo. Os gases emanados pelo vulcão provocam a acidificação das chuvas ácidas, que vão cair naquela região e mais tarde noutros locais (devido aos ventos), logo isto tem implicações na agricultura (solos) e não obstante na saúde pública. Até o tráfego aéreo é prejudicado…

Por: Ana Pires

[NOTÍCIA] Crocodilos da Mauritânia adaptam-se a climas extremos

Investigadores portugueses estão a monitorizar populações que se julgavam extintas

  Quando saem da água são mortos. Dentro dos lagos e gueltas, os crocodilos são protegidos pela população da Mauritânia. Um crocodilo fora de água é sinónimo de seca, o medo que atormenta os homens dependentes do gado e das colheitas.
  Há quatro mil anos atrás, a seca causou uma grande alteração na paisagem: a vegetação escasseou, os lagos desapareceram e o verde deu lugar ao castanho do solo árido. Os crocodilos perderam os habitats e com a seca da década de 1970, os investigadores acreditavam que restavam apenas três populações de crocodilos no norte do continente africano − no Chade, no Egipto e em Marrocos.
  Uma equipa de investigadores do Centro Interdisciplinar em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO) fez-se à estrada. Cruzaram o Estreito de Gibraltar e atravessaram o Sahara Ocidental para descobrir populações de crocodilos num país que mescla o deserto com o Atlântico.
  José Carlos Brito, investigador do CIBIO, explica que, em 2003, uma equipa multidisciplinar “encontrou crocodilos em 25 localidades em dois tipos de habitats distintos”. Entre pequenos e grandes exemplares descobertos, o cientista afirma: “Encontrámos muitos mais crocodilos do que estávamos à espera”.
  Em expedição, descobriu-se ainda que, apesar de haver populações completamente isoladas, existia migração.
  Mais surpreendente: “no guelta El Khedia, existe um crocodilo a viver isolado desde os anos 70”, explica o investigador responsável pelo estudo.
  “Na actualidade existem crocodilos em 78 locais e em dez bacias hidrográficas”, afirma José Carlos Brito, que desde 2002 faz expedições à Mauritânia para seguir as pegadas dos répteis e anfíbios desse país. O biólogo explica ainda que 53 por cento das populações encontradas têm menos de cinco indivíduos.

  Futuro árido
  Apesar do resultado da investigação ser optimista, tanto para a biodiversidade como para o bem-estar das gentes da Mauritânia, o futuro não se avizinha fácil. O clima será mais quente e mais seco e, com a diminuição das áreas adequadas, os crocodilos enfrentam por mais um desafio: adaptarem-se a meios áridos.
  José Carlos Brito, questionado sobre a possibilidade de preservação, durante o ciclo de Conferencias da Biodiversidade, organizado pelo Ciência Hoje, que decorreu sábado passado no Palácio Sotto Maior na Figueira da Foz, explica que será necessário “monitorizar as tendências demográficas e genéticas das populações totalmente isoladas e classificar as montanhas como áreas protegidas”.
  Sensibilizar a população é também um desafio que está a ser aceite, tanto pelas ONG como pelo Ministério do Ambiente da Mauritânia, que prepara uma exposição no sentido de mostrar que os crocodilos são mais do que um código de precipitação.”

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=42823&op=all#cont

  Reflexão:
  Apesar da mudança de climas alguns animais conseguem adaptar-se e por isso sobreviverem, é o que esta notícia nos relata.
  Como nos é dito os crocodilos da Mauritânia são protegidos pela população local, quando isto acontece é bastante benéfico para a espécie. Se o Homem tiver consciência dos seus actos, ser responsável e, além disso, não ter comportamentos de risco para a preservação dos seres vivos, estes podem estar descansados, ter-se-ão de preocupar com outras questões. Neste caso, crê-se que num futuro bem próximo terão de preocupar com o clima (irá tornar-se árido, clima este, não favorável a estes animais).

Por: Ana Pires

quarta-feira, 26 de maio de 2010

[ANIMAÇÃO] Processo de Fossilização



  Achei este esquema, sob a forma de animação flash, bastante interessante para demonstrar como é o processo da fossilização, explicando as formas de como actuam cada um dos factores de fossilização e a importância do factor tempo no mesmo processo.

Fonte: http://fossil.uc.pt/pags/formac.dwt

Por: Fábio Costa

[RESUMO] Compreender a Organização de uma Escala de Tempo Geológico

  A escala de tempo está organizada por Eon, Era, Períodos e épocas (do mais envolvente até ao mais restrito).
  A mudança de era é marcada por grandes extinções ou por uma grande proliferação da vida. Os períodos e as épocas são marcadas por extinções ou outros factores menos significativos, por exemplo o evoluir de uma espécie.
  Quanto mais recente é o tempo geológico melhor esta a escala de tempo geológico, uma vez que existem dados mais recentes, assim, como em maior quantidade, que então o permite fazer. A Era Pré-câmbrico é o período mais extenso da Historia da vida da terra, porém como é mais antigo é de difícil carácter introduzir novos dados que possam fazer uma melhor escala de tempo geológico.

Por: Ana Pires

sábado, 22 de maio de 2010

[NOTÍCIA] Cientistas anunciam criação de genoma artificial

  Em anúncio nesta quinta-feira, cientistas do Instituto John Craig Venter (IJCV) conseguiram criar um genoma sintético, a primeira célula de bactéria sintética auto-replicante. O estudo, publicado na revistaScience, representa um marco na Biologia e pode resolver problemas ambientais e energéticos, como os biocombustivéis e a criação rápida de vacinas.
  Há quinze anos os cientistas tem se dedicado na tentativa de criar um genoma sintético. Em 2003, o grupo de cientista do IJCV conseguiu sintetizar com sucesso um genoma de vírus pequeno que infecta bactéria. Em 2008, eles eram capazes de sintetizar um genoma pequeno de bactéria, mas não conseguiram ativa-lo na célula.
  Agora, a equipe de 23 cientistas dirigada por Dr.Craig Venter, que participou do sequenciamento do genoma humano, Hamilton Smith e Clyde Hutchison alcançou o passo final na criação de uma bactéria sintética, sintetizando 1,08 milhão de pares de base do genoma de Mycoplasma mycoides.

Fonte: http://biologias.com/noticias/701/Cientistas-anunciam-criacao-de-genoma-artificial (notícia) / http://www.dhnet.org.br/direitos/direitosglobais/images/dec_genoma.jpg (imagem)
  
  Reflexão
  É através dos avanços da tecnologia e do conhecimento sobre a genética que chegamos ao actual ponto, ao ponto de criar um genoma artificialmente. Não foi há muito tempo que Darwin apresentou a sua teoria da Selecção Natural, desconhecendo completamente a existência da genética, e agora deparamo-nos com a criação de um novo genoma. É um avanço realmente surpreendente na ciência que será deveras importante para a resolução de vários problemas que estão citados na notícia, “ambientais e energénicos, como os biocombistiveis e a criação de vacinas”.
  Mais uma vez, um pequeno passo para o Homem mas um grande passo para a Humanidade!

Por: Fábio Costa

quinta-feira, 13 de maio de 2010

[RESUMO] Que factores condicionam a formação de cristais (minerais)?

  Factores externos





  Factores internos
  - Estrutura cristalina: Disposição ordenada dos átomos ou iões que formam uma rede tridimensional (segue um modelo geométrico característico de cada espécie de mineral).
 
  - Teoria reticular: A rede cristalina é formada por fiadas de partículas em diferentes direcções do espaço, tendo a unidade dessa rede forma paralelepipédica (malha elementar).
 
  As propriedades de um cristal/mineral são condicionados por:
   - organização no espaço dos átomos, iões ou moléculas;
   - natureza química dos átomos, iões ou moléculas;
   - proporções em que as partículas se encontram na rede;
   - tipo de forças de ligação entre as partículas.

   Cristais euédricos – o mineral é totalmente limitado por faces bem desenvolvidas, assume forma poliédrica.

   Cristais subédricos – o mineral apresenta faces parcialmente desenvolvidas.

   Cristais anaédricos – o mineral não apresenta qualquer tipo de face.

   Estrutura amorfa ou vítrea: não chega a atingir o estado cristalino. A estrutura fica desordenada.

Por: Ana Pires

sábado, 1 de maio de 2010

[RESUMO] Magmas Riolíticos

  Os magmas riolíticos resultam, principalmente, da fusão das rochas que constituem a crosta continental e originam granitos ou riolitos.
  Os magmas riolíticos formam-se, sobretudo, a partir da fusão da crista continental, em zonas de colisão de placas (continental-continental). Devido ao aumento da pressão e da temperatura (devido ás forças aplicadas sobre as placas) criam-se as condições necessárias ao metamorfismo e por vezes á fusão parcial da crosta terrestre. O magma riolítico é caracterizado pela sua viscosidade, ao ascender, atinge, a determinada altura, condições incompatíveis com o estado de fusão> riolito.
  O granito descende deste tipo de magma, que por arrefecimento lento na câmara magmática é intrusivo, podendo emergir à superfície por processos erosivos.

Por: Ana Pires

sexta-feira, 23 de abril de 2010

sexta-feira, 16 de abril de 2010

quinta-feira, 15 de abril de 2010

segunda-feira, 12 de abril de 2010

domingo, 28 de março de 2010

BOA PÁSCOA

OS BIOLOGUISTAS DESEJAM UMA SANTA E FELIZ PÁSCOA A TODOS!

segunda-feira, 22 de março de 2010

[GEOLOGIA] Algumas definições!

  Ordenamento do território ->conjunto de processos integrados de organização do espaço biofísico, tendo como objectivo a sua ocupação, utilização e transformação de acordo com as capacidades referidas.
  Zonas de risco -> zonas onde é mais propicio a ocorrência de catástrofes, fenómenos naturais com elevadas consequências.
    • Sabendo que nas zonas de risco a probabilidade da ocorrência de fenómenos que podem colocar bens materiais e até a vida humana em risco ser elevada, é necessário um conjunto de medidas que previna futuras complicações e até mesmo desgraças. Com o ordenamento de território é possível fazer uma gestão saudável dos recursos, isto é, construir em zonas que não ponham a morfologia de um dado local em causa, ter em atenção às transformações que se fazem ao local, para que a coabitação entre o homem e o espaço envolvente seja pacífica.
  Bacia hidrográfica -> área do território drenada por uma rede fluvial.
  Rede hidrográfica -> conjunto de todos os cursos de água ligados a um rio principal.
  Leito menor ou de estiagem -> área mais profunda do canal fluvial ocupada por uma menor quantidade de água.
  Leito ordinário ou aparente -> sulco por onde normalmente correm as águas e os materiais que transportam.
  Leito de cheia ou de inundação -> espaço que é inundado em época de cheias, quando o nível das águas ultrapassa o leito ordinário.
  Erosão marinha -> formas de erosão que resultam do desgaste provocado pelo impacto dos movimentos   das águas do mar sobre a costa.
  Praia -> acumulação de areia na faixa litoral. 
  Restinga -> acumulação de areia ligada à faixa litoral por uma das suas extremidades e com a outra livre.
  Tômbolo -> acumulação de areia que liga uma praia a uma ilha.
  Ilha-barreira -> acumulação de areia paralela à costa e dela separada por uma lacuna.

Por: Ana Pires

[NOTÍCIA] Cientistas criam protótipo do "manto da invisibilidade"

  Cientistas europeus criaram uma espécie de manto tridimensional capaz de esconder objectos por meio da emissão de ondas de luz.

  A "magia" de Harry Potter pode estar próxima de se tornar realidade. Cientistas europeus criaram uma espécie de manto tridimensional capaz de esconder objectos por meio da emissão de ondas de luz, o que pode significar que em pouco tempo será possível tornar objectos "invisíveis".
  Para o estudo, cientistas do German Karlsruhe Institute e do Imperial College London usaram um manto feito de cristais capazes de modificar o deslocamento da luz visível. Os cientistas usaram o manto para esconder uma pequena saliência numa superfície de ouro e a operação funcionou como se um pequeno objecto fosse escondido sob um tapete. No entanto, nesse caso, o tapete também desapareceu.
  "Por agora, estes dispositivos são uma comprovação do que as transformações ópticas são capazes", disse Tolga Ergin, coordenador do estudo. "Isto é muito animador, porque a espécie humana sempre desejou ser invísivel, ou usar mantos de invisibilidade", acrescentou.
  Ergin destaca, porém, que ainda serão necessários anos de pesquisa. "É difícil saber o que o futuro reserva, mas o caminho definitivamente está definido e as possibilidades são muitas", finalizou o pesquisador.
  O estudo foi publicado na revista especializada Science.

Fonte: http://tvnet.sapo.pt/noticias/detalhes.php?id=55850

  Reflexão
  Não foi há muito tempo que se falou na hipótese de criar um manto de invisibilidade, criando expectativa pelo filme "Harry Potter". Nunca se considerou a ideia como podendo vir, algum dia, ver a ser realidade mas agora, cerca de 10 anos após a saída do filme, os cientistas conseguiram  fazer um protótipo do que poderá vir a ser, no futuro, uma "engenhoca" muito poderosa no combate, por exemplo, à criminalidade.
 É um desenvolvimento fantástico, e deixo já os meus sinceros parabéns aos criadores deste protótipo, pois de facto merecem.

Por: Fábio Costa

[AULA DE CAMPO] Ocupação antrópica e Risco geológico

  Rio Vez – Arcos de Valdevez
  O primeiro ponto de paragem da aula de campo, ocorrida no dia 11 de Março deste ano, foi em Arcos de Valdez, mais concretamente nas margens do rio Vez.
  Como já é do nosso conhecimento, num rio podem ser distinguidos três tipo de leitos (espaço que pode ser ocupado pelas águas): leito ordinário (sulco por onde normalmente correm as águas e os materiais que transportam), leito de cheia (espaço que é inundável em época de cheia, quando o nível das águas ultrapassa os limites do leito ordinário) e leito de estiagem (área mais profunda do canal fluvial ocupada por uma menor quantidade de área).
  No rio Vez, no local da sua margem, podem ser constatados vários conceitos geológicos, associados à ocupação antrópica. O rio estava com um leito ordinário, isto é, ocupava o seu sulco habitual, porém nós próprios estávamos no leito de inundação. Foi possível chegar a este juízo, já que no local em que nos encontrávamos havia vários detritos provenientes do rio. Entre esses detritos destacam-se areia e vários tipos de rocha, estando estes espalhados e amontoados ao longo de toda a margem.
  Não obstante existiam indícios de “mão humana” (vestígios antropológicos), tais como: iluminação eléctrica, jardins, cercas, entre outras. Dá-se, mesmo, neste local a feira local, desde 1946.
  Apesar de ser errado ocupar o leito de cheia, poderia ser bem pior se nesta área existisse a construção de edifícios, pois a possibilidade de ocorrência de cheias o leito de cheias iria ficar inundado, por conseguinte haveria estragos materiais e até, eventualmente, perdas de vidas humanas.

  Observação da derrocada em Frades
  No passado dia 11 de Março realizou-se uma aula de campo, numa das suas paragens foi-nos possível observar os resultados de um movimento em massa. Este ocorreu em Frades, freguesia de Arco de Baúlhe.
  É de nosso conhecimento que se designam por movimentos em massa quaisquer movimentações de rocha numa superfície inclinada. São acontecimentos erosivos e alteram significativamente a paisagem. Por vezes estas movimentações são tão lentas que o Homem não se apercebe delas, porém, outras, como ocorreu em Frades são súbitas e atingem velocidades na ordem da centena de km/h. As consequências para o Homem são desastrosas e provocam ocasionalmente catástrofes, englobando a perda de vidas humanas e prejuízos materiais significativos.
  Em Frades, dia 7 de Dezembro de 2000 após um período intenso de chuvas deu-se um movimento de massa súbito. Este causou a morte a quatro pessoas e á destruição de casas na vertente.
  Após este acontecimento os habitantes queriam recomeçar as construções de casas, assim, verifica-se o desconhecimento das consequências e da gravidade da situação. Por isso, foram elaboradas cartas de ordenamento de território, estas determinam as áreas para habitação, de agricultura, de interesse ecológico. Também foram elaboradas cartas de risco geológico e aquela zona acabou por ser considerada de risco elevado, ficando os habitantes sem autorização para a reconstrução das casas.
  Tudo isto aconteceu em 2000, porém, 10 anos passados, ainda é possível observar-se onde se deu o movimento. Na aula foi-nos possível ver o movimento em duas paragens. Na primeira estivemos no foco do mesmo. Na segunda paragem vimos a “cicatriz” que aquele movimento deixou na encosta.
  Na minha opinião este foi um local de paragem que nos mostrou que o Homem, apesar de cientificamente avançado, não consegue controlar a força da Natureza. Porém, é-lhe possível prevenir futuras catástrofes por um melhoramento das medidas de prevenção, pela criação de cartas de ordenamento de território e cartas de risco geológico. Estas, ajudarão as populações a estarem preparadas para catástrofes e a saberem agir no caso delas acontecerem.

  Caus de blocos na Serra D’Arga
  Durante a aula de campo, podemos ainda observar a Serra d’Arga.
  Esta é constituída essencialmente por granito, uma rocha magmática intrusiva formada por diversos minerais, os principais são: o quartzo, as micas e os feldspatos.
  Já abordámos nas aulas de geologia o processo de meteorização do granito.
  Foi possível, durante a aula, observar de perto o resultado da meteorização e erosão do granito.
Como podemos observar na imagem existem vários blocos de granito que se encontram separados, devido a processos de meteorização e erosão.
  Este efeito é mais notável em rochas granulares, como o granito. Esta rocha sofre, ao longo de milhares de anos, deformações e pressões em profundidade, e quando encontra a superfície (através de movimentos tectónicos e/ou remoção das camadas suprajacentes) fica sujeita aos agentes erosivos.
  Os maciços graníticos apresentam inúmeras superfícies de fractura, chamadas diáclases (formadas por tensões internas ou descompressões), estas fracturas favorecem a alteração da rocha uma vez que aumentam a exposição da mesma. Assim os seus minerais perdem a coesão e desagregam-se mais facilmente. As diáclases podem aumentar o seu tamanho através da actuação da água, que por acção do efeito do gelo, isto é se por causa do abaixamento de temperatura a água solidifica no interior da rocha, provoca uma maior desagregação da mesma.
  Durante todo o processo de meteorização minerais primários da rocha são desagregados e por isso podem ser facilmente arrastados da mesma, fazendo com que esta fique mais arredondada, dando origem a uma paisagem que se designa por caos de blocos.
  Estas “bolas de rocha” ficam expostas à erosão continuamente, mas as alterações começam a ser menos visíveis uma vez que toda a superfície passa a ser atacada por uma força uniforme.
  Nesta passagem pela Serra d’Arga podemos observar esta paisagem e, como se visualiza na imagem, constatamos que existem blocos mais arredondados do que outros, demonstrando a actividade geológica do nosso planeta que se caracteriza por ser progressiva e muito lenta.

  Linha Costeira de Ofir e Apúlia
  Já na recta final da nossa visita de estudo, visitámos as praias de Ofir e Apúlia. Nestas praias, observou-se claramente o avanço do mar nas praias e, também, consequências dos esporões.
  Quem viu o mar e quem o vê! Actualmente, a área costeira nestas praias está muito menor que há cerca de 10 anos atrás, em que o mar se distanciava umas boas centenas de metros do mar e, actualmente, são apenas algumas dezenas de metros de areal. O mar tomou grande parte das praias portuguesas e, tanto a praia de Ofir como a de Esposende e Apúlia, são testemunhas vivas disso. Tais avanços devem-se à intensiva erosão costeira, provocada pela subida do nível médio das águas do mar e pela redução dos sedimentos depositados do mar (consequência de, por exemplo, construções de barragens).
  Verificámos, em Ofir, a existência de estruturas que evitavam o avanço do mar em algumas zonas mas, em consequência, prejudicava outras zonas. Mesmo em frente às “Torres de Ofir”, estava construído um esporão que acumulava sedimentos no local, aumentando o areal da praia mas, consequentemente, diminuindo o areal das praias a jusante do mesmo e prejudicando as populações que se situavam nesse mesmo local (a sul).
  De todas as consequências que se verificam do avanço do litoral, destacam-se as que afectam as construções que estão muito perto do areal (Torres de Ofir, por exemplo). Estas construções, ao verificar-se o avanço do mar, ficam em perigo de derrocada, pois o areal da praia diminui até afectar o areal que está na base das torres, afectando as suas estruturas e segurança. Pior que isto, é o facto da construção de estruturas na tentativa de evitar o avanço do mar (esporões, por exemplo), que só ajuda a situação no local mas prejudica gravemente os locais seguintes à construção.
  Em suma, não há nada que consiga combater a força da natureza. De certo modo, esta força é provocada por nós, humanos, através do aquecimento global e da construção de barragens (entre outros), por isso, só estamos a ser vítimas das consequências dos nossos erros. A Natureza deve ser preservada, para que ela nos preserve a nós.